2004-05-03

Como salvar um casamento (segundo Diogo de Paiva de Andrada)


O casamento, como todos sabemos, é um contrato de duas vontades ligadas com o amor que Deus lhes comunica, justificadas com a graça que lhe deu Cristo e autorizadas com as cerimónias que lhe ajuntou a Igreja Católica. Os Gregos chamaram-no Himeneu, derivado da palavra Hímen, a qual por honestos respeitos não convém que aqui se declare. Este Himeneu fingiram uns ser filho de Apolo e Calíope, que entre os falsos deuses daquele tempo presidiam nas músicas e poesias que se costumavam frequentar nas solenidades dos casamentos. Outros imaginaram que era filho de Vulcano, tido por deus do ferro e do fogo e pelo mais disforme de todos os deuses, e de Vénus, deusa do amor, que foi a mais formosa de todas as deusas: isto para demonstrar que entre os casados, seja qual for o gesto e parecer de qualquer deles, há-de haver um amor tão afervorado como os ardores do próprio fogo, e uma firmeza tão constante como a dureza do próprio ferro.

São necessárias muitas condições e circunstâncias para que se guarde a perfeição do casamento com sossego da alma, segurança da honra e descanso da vida. Os maridos devem tratar de ser modestos e recolhidos, pois não terão conversações de gente perversa, que os divirtam do amor e gosto que devem empregar em suas mulheres; os que não forem tafuis nem gastadores cuidarão de governar suas fazendas e conservar suas granjearias, cuja falta prejudica ao gosto das mulheres e ao remédio das famílias; os que não forem avarentos não fecharão as arcas e celeiros, nem terão em seu poder as bolsas do gasto, coisas que elas sentem em todo o extremo, por se verem nisso tratadas com desamor, desprezo e desconfiança. Os devotos e virtuosos guardar-se-ão com muito cuidado de lhes dar ocasião de queixas graves ou paixões demasiadas. Esmerar-se-ão em usar com elas de cortesia nos lugares públicos, de benevolência nos secretos, em lhes procurar passatempos lícitos e desviar-lhes os perigosos e por conclusão, que tratem de todo o coração de se abraçar à virtude, porque nela gozarão sem nenhum trabalho de todos os bens dos perfeitos casados.

Declaradas as condições e qualidades que devem concorrer nos homens, convém que não fiquem por enunciar as que pertencem às mulheres, porque elas, sendo geralmente menos prudentes, têm mais necessidade de ser advertidas. Que sejam por isso honestas e recolhidas; que escusem demasiados gastos, trajes e enfeites; que fujam de estar ociosas, pois bem manifesto fica que a ocupação das teias, lavores e costuras não se compadece com a frequência de vistas, conversas e leviandades; que sejam sofridas e caladas, porque com falarem pouco não só fogem de ligeirezas, como também adquirem respeito e autoridade, que são os esmaltes da nobreza. Pintavam os antigos a Deusa Vénus com os pés em cima de um cágado e faziam-no com fundadas razões: visto que este animal era símbolo do recolhimento por não ter voz nenhuma e sair poucas vezes do lugar em que está posto, queriam assim que as mulheres significadas pela imagem de Vénus se lembrassem que tinham a obrigação de falar pouco e andar menos.

Resta que declaremos os bens de que gozam os perfeitos casados. O primeiro e principal é uma esperança bem fundada de serem todos predestinados. O outro bem, que se segue a este, é a perfeita alegria com que os casados sempre vivem, com a qual não tem comparação nenhuma outra felicidade. Nenhuma riqueza dá tão perfeito contentamento como o que gozam entre si os bons casados. Escrevem os Autores de Crates filósofo, que chegou a tão extrema necessidade que não tinha uma casa em que se recolhesse, nem uma cama em que dormisse, nem uma cadeira em que se sentasse e que veio a morar com a sua mulher nuns alpendres públicos de Atenas: e como eram perfeitos casados, viviam neste abismo de vales e misérias com tanto sossego e contentamento como se estivessem favorecidos das felicidades mais abundantes.

5 comentários:

Anónimo disse...

estou casada a 6anos e temos 1 filha so que ja nao me sito amada discotimos muito ja nao me intereço por ele acho que so estou com ele porque nao tenho trabalho e nao possa sustentar a minha filha

Anónimo disse...

Eu Digo
A discução no meio de um casal é normal, e qdo a gente casa aquele paixão ao pouco ela vai se gastando e aí vira o amor fraternal (universal) onde o companheiro sorri, chora, passa dificuldades junto com a companheira. Então entenda isso pois se vc se separar e depois tentar um novo relacionamento vai acontecer a mesma coisa. O grande problema entre os casais e que nunca dão o braço a torcer, sempre querem estar com a razão então temos que sentar juntos e colocar os pingos nos is (discutir a trelação civilizadamente sem alterar e voz. (OK). Tenha um casamento a bençoado por DEUS.

Anónimo disse...

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Estou casado há 23 anos e estou em uma crise profunda já não sei mais o que fazer para recuperar a boa convivencia as vezes passamos semanas sem conversar, tocar em minha esposa tem sido uma verdadeira odisseia, ela rejeita se encolhe, o dialogo que antes saia facil se tornou monossilabico com expresssão sim, não talvez. socorro estou pedindo ajuda antes que seja tarde.

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