2004-11-02

Alquimia


A alquimia é uma fonte inesgotável de fascínio e encantamento. Nenhum tema intrigou tanto e tão profundamente os sábios de todas as épocas e latitudes como a transmutação dos metais. Grandes pensadores como São Tomás de Aquino ou Isaac Newton dedicaram-lhe todo o seu talento e sabedoria. A literatura e as artes abraçaram-na desde sempre. A ciência moderna tem vindo, enfim, a demonstrar que muitos dos seus antigos ensinamentos são afinal verdadeiros e rigorosos. Tudo isto não significa, porém, que a arte de Hermes seja hoje um saber generalizado e facilmente acessível a todos ou que a Pedra Filosofal se tenha convertido numa espécie de bem do domínio público. Bem pelo contrário, a alquimia continua tão obscura e enigmática como nos tempos remotos de Hermes Trismegisto ou Maria a Profetisa.

A alquimia é uma arte divina, a mais valiosa das dádivas de Deus, e só deve ser praticada pelos adeptos sinceros e de coração puro. A sua Pedra Filosofal é a verdadeira quinta-essência universal, capaz de transmutar todos os metais em ouro; é também designada Medicina Universal ou Panaceia, pois remove as causas últimas das doenças, e Fonte da Juventude, pois ela é o bálsamo da Natureza que rejuvenesce o corpo e prolonga a vida para além da sua duração normal – é aliás curioso sublinhar que todos os verdadeiros alquimistas tiveram vidas invulgarmente longas para as suas épocas. Ora, é facilmente compreensível que um bem dessa grandeza não deva cair nas mãos erradas e que a alquimia seja por isso cuidadosa na ocultação dos seus segredos. «Tenho o mundo nas minhas mãos» é uma afirmação recorrentemente ouvida na boca dos poucos que conseguiram aceder ao milagre da transmutação. Conta-se que já em Junho de 1937, o escritor francês Jacques Bergier foi visitado por um estranho alquimista que, antes de ter desaparecido tão misteriosamente como surgiu, o alertou para os perigos da energia nuclear. Aliás, a desintegração do átomo e a investigação atómica foram já consideradas como uma «anti-alquimia» e a bomba atómica como «o oposto à Pedra Filosofal».

A arte alquímica inspirou numerosos livros, mas nenhum deles fala com clareza. Porque os adeptos sempre recearam as acusações de heresia ou os raptos por homens poderosos que os forçassem a produzir ouro, a simbologia desempenha um papel central nos seus escritos e imagens. Diz-se que estes textos «ocultam segredos abertamente», pois enquanto que os versados conseguem discernir o seu significado com clareza, todas as outras pessoas não vêem senão amontoados desconexos de palavras: para além dos símbolos caracteristicamente alquímicos, como o Leão Verde ou o Ouroboros, abundam os enigmas, os trocadilhos e assonâncias. É a chamada Linguagem dos Pássaros ou Linguagem Verde.

Vários filósofos herméticos têm sugerido um método que o estudioso sério pode utilizar como um fio de Ariane para encontrar um caminho através desta obscuridade labiríntica da linguagem alquímica: seleccionar os melhores livros; lê-los e relê-los, comparando os trechos onde eles concordam, pois aí há verdade para ser encontrada. Comparar também onde diferem e como diferem, pois mais descobertas serão feitas. Suspeitar sempre que eles pareçam falar com mais clareza e simplicidade; e meditar nas passagens em que são mais obscuros. Deste modo, o padrão da verdade emergirá gradualmente, tal como a marca de água de um papel colocado defronte da luz.

Só os livros, porém, não chegam. A teoria deve preceder a prática, mas a prática deve, por sua vez, testar a teoria. Apesar de alguns entendimentos em sentido contrário, como os de Jung ou Mary Ann Atwood, a verdade é que não pode haver alquimia sem operações físicas, tal como não pode haver peixes sem água. O laboratório é o local onde o alquimista realiza essas operações e dele devem constar os aparelhos essenciais à realização da Grande Obra, designadamente o forno, designado atanor, o ovo filosófico e a tigela; e como o fogo do forno deverá estar permanentemente aceso, é também indispensável um tubo de evacuação e uma chaminé, sendo pois necessário que a divisão utilizada, que tanto pode ser a cozinha, a cave ou outra qualquer, possua tais equipamentos. A esta divisão deve acrescer o oratório, lugar reservado às preces e à meditação – ainda que, por razões de espaço, nem sempre seja fácil instalá-lo. Note-se, aliás, que a palavra laboratorium é composta precisamente de labor e oratorium, pois o laboratório do alquimista é destinado em igual medida ao trabalho e à oração.

Um laboratório que acabou por se tornar célebre foi o do alquimista inglês John Kellerman, que Sir Richard Phillips descreveu no seu livro A Personal Tour Through the United Kingdom (1928). Phillips fala de uma casa isolada e extremamente desarrumada, repleta com os instrumentos e recipientes habituais. Apenas uma divisão era ocupada por Kellerman; todas as outras estavam fechadas a cadeado e tinham as janelas barricadas. John Kellerman contou que tinha conseguido produzir ouro e que se tinha oferecido para pagar a dívida externa do país: uma oferta que o Lorde Liverpool recusou em nome do rei. Idêntica oferta tinha sido feita ao governo francês, que também recusou. Afirmou ainda que todos os governos europeus sabiam da sua descoberta e que já tinha sido alvo de várias tentativas de assassinato, pelo que tinha todas aquelas preocupações com a segurança pessoal e andava sempre armado. Pouco tempo após a visita de Phillips, Kellerman desapareceu misteriosamente e nunca mais foi visto.

John Kellerman não é um caso único. Os alquimistas são seres forçosamente tímidos, esquivos e discretos – o que, nos nossos dias de mediatismo desenfreado, pode parecer particularmente excêntrico. Muitos Autores formularam listas dessas e doutras qualidades que devem possuir os verdadeiros alquimistas e que os distinguem dos intrujões comummente chamados de assopradores – uma referência aos foles que eram utilizados para manter aceso o fogo nos laboratórios. Um daqueles Autores foi Alberto o Grande, que resumiu no seu tratado De Alchimia as virtudes dos verdadeiros adeptos: ele deve ser discreto, calado e não revelar a ninguém o resultado do seu trabalho; ele deve morar sozinho numa casa isolada; ele deve escolher os dias e horas que lhe permitam trabalhar com discrição; ele deve possuir paciência, diligência e perseverança; ele deve realizar a obra segundo as regras previamente estabelecidas; ele deve usar apenas recipientes de vidro ou de barro envernizado; ele deve ser suficientemente rico para suportar as despesas da sua arte; ele deve evitar quaisquer contactos com príncipes e nobres. Este último preceito é particularmente importante, pois a relação entre alquimistas e poder político foi sempre conturbada. Já em 144 a.C., o Imperador chinês emitia um decreto proibindo expressamente a produção de ouro, no que foi mais tarde seguido pelo Imperador Diocleciano de Roma em 296 d.C., pelo Papa João XXII na sua bula de 1317 ou por Henrique IV de Inglaterra no ano de 1403.

Esta perseguição secular aos alquimistas esteve também na origem das suas viagens constantes e Portugal, país místico por excelência, foi um ponto de paragem preferencial. O grande Paracelso, que aos 14 anos deixou a casa paterna e começou uma série interminável de viagens para conquistar os seus graus na «Universidade Universal», também por cá passou, talvez em 1518. Outros alquimistas insignes como Arnaldo de Vilanova, Nicolau Flamel, Bernardo-o-Trevisano ou Raimundo Lúlio também deixaram a sua marca junto dos adeptos portugueses. O mais célebre destes será o «Rei Alphonso de Portugal», que surge referido como autor de dois tratados sobre alquimia e que se julga ser Afonso V: um rei culto, místico, cavaleiro e perdulário, que ficou a dever o seu cognome de O Africano às suas incursões contra os muçulmanos em África. Num desses textos, o rei sublinha o carácter cifrado e misterioso da linguagem alquímica e apela à discrição de todos quantos a consigam compreender.

Será então que todos estes escolhos devem demover os iniciantes da grande viagem alquímica? Sir Francis Bacon gostava de contar a este propósito a fábula do pai que deixou uma propriedade aos seus filhos dizendo que nela se encontrava um tesouro. Os filhos cavaram por todo o lado durante largas semanas sem nada encontrar, mas o campo assim trabalhado tornou-se muito mais fértil porque… era esse o tesouro! Ora, segundo este Autor, o mesmo sucede com a alquimia. A Pedra Filosofal está em toda a parte e ao alcance de todos, ricos ou pobres. Aceder-lhe é mais simples do que parece, mas exige do viajante perseverança, humildade e um espírito aberto ao maravilhoso por detrás das coisas do quotidiano. Sujeitemo-nos por isso com paciência a esta provação, que é na realidade uma iniciação: «apressa-te lentamente, pois a precipitação é obra do Diabo».

26 comentários:

alan guilherme guimaraes disse...

como se tornar umalquimista

Flávio disse...

:) 'Sou alquimista... e agora?'

samuka disse...

como faço para me tornar um alquimista

Anónimo disse...

como faço para praticar alquimia?

Anónimo disse...

alquimia envolve fisia ou so quimica ?

Anónimo disse...

sou alquimista e consegui criar um metal parecido com o ouro.

Anónimo disse...

Eu quero me tornar um alquimista!!!!
Quero tentar de qualquer jeito quero dar tudo de min!!
Já até me cortei e fiz uma série de símbolos mitologicos com uma série de elementos mas nao obtive sucesso em nada!!!
Preciso de um professor!!
Meu msn é
atus_mayer@hotmail.com

Anónimo disse...

somos 2 alquimistas mais precisamos de professores para aprender controlar todo esse poder ai esta meu orkut lucas_ms101@hotmail.com meu nome e lucas entre em contato e meu amigo e italo tenho mais um amigo o kayllo obrigado por nos ovir o kayllo eta nos ajudando por favor nos ajude

Anónimo disse...

somos 2 alquimistas mais precisamos de professores para aprender controlar todo esse poder ai esta meu orkut lucas_ms101@hotmail.com meu nome e lucas entre em contato e meu amigo e italo tenho mais um amigo o kayllo obrigado por nos ovir o kayllo eta nos ajudando por favor nos ajude

Chirikikajimo Kun disse...

eu quero aprender alquimia alguem disposto a me ensinar favor me add no meu msn:
thiagoluvi@hotmail.com

victor disse...

oque eu devo fazer pra ser um alquimista

Anónimo disse...

meu msn é juninho__hc@hotmail.com

gostaria muito de aprender a alquimia
sempre me fascinou muito essa arte.

obrigado

Anónimo disse...

Eu quiria aprender a pratica da alquimia,essa pratica me facina muito,por favor quem puder me ensinar meu msn é schwartzshu@hotmail.com

jonas disse...

Alguem disposto a ensinar a verdade ?

Anónimo disse...

eu só queria aprender a usar alquimia, mas eu sei que alquimia não se resume apenas em full metal alchemist, ou em livros e bah...
A alquimia vai além do que essas "fontes" nos amostram...
Preciso de alguém que queria aprender, pq aí posso juntar minhas teorias com as dessa pessoa... se alguém se interessar (não em um professor de alquimia, mas em uma parceira pra aprender) pode me adc.: moleckinha15@hotmail.com

Anónimo disse...

a maioria das pessoas só se interesa pela alquinia por causa da transmutaçao de metai p ouro?
a alquimia tb pode ser usada p curar
pois é uma ciêcia que trabalha com elementos naturais como materias organicas,metais,minerais,gases,etc...,nâo só p fazer "ouro",povo inguinorante cuturalmente
é por isto que ninguem ensina esta ciencia,
e eu não vou encinar o pouco que sei!!

Anónimo disse...

Quero me tornar um alquimista mais não encontro maneiras me adicionem no orkut enprocg@ig.com.br obrigado pela atenção..

diego disse...

um alquimista nunca revela seu trabalho ele é discreto;;;o que vejo que poucos aqui são;;;parecem, que acham que a alquimia é uma forma de enrriquecer para a maioria;;porem ela esta muito acima de dinheiro ela ´é puro conhecimento ;;porem como todo grande conhecimento deve estar sempre em mãos certas para continuar seu equilibrio e não uma brincadeira de transmutação etc;;;a lei basica da alquimia é a troca equivalente;;ou seja para receber o conhecimento tem que ser uma pessoa a altura;;;alquimia não é magica e nem ficção ;; poucos entendem o verdadeiro significado da alquimia

Anónimo disse...

Galera ae assiste demais fullmetal alchemist...kkkkkkkkkkkkkkk

Anónimo disse...

meu msn e cezar_manerex@hotmail.com
conheço alquimia na teoria, ja tentei milhares de vezes mas eu nao consigo NADA, eu tenho minha ideia de que se for realmente possivel transmutar algo, seria bom. nao quero ser alquimista pelo dinheiro, pela vida eternae nem pelo poder, apenas queria poder praticar a grande obra, se alguem quizer falar cmg me add nao e pra ser meu professor mais asocia a minha ideia na sua

Zizah disse...

Olá! Meu nome é Zizah e gostaria de iniciar a alquimia, gostaria que me desse uma dica para começar.
Meu email é Zizah_qa@yahoo.com.br
Obrigada.

Anónimo disse...

oi apenas quero me tornar um alquimista e procuro um professor meu email é : pedro rossi@gmail.com

Anónimo disse...

oi tanbem me tornar um alquimista mas presiso de um professor meu email é:joaorossi@terra.com.br

airomenzitao disse...

Não sou dono de blog para esclarecer a vocês mais o principio basico da alchimia e a ciência e física e a magia por isso e impossivel o uso completo da alchimia.

Anónimo disse...

ola sou novato nessas historias todas mais fikaria muito agradecido se alguem me ensinase Alquimia desde a primeira essência quero obter o máximo de conhecimento sobre a alquimia obrigado espero respostas

meu msn e:
lucaslms13@hotmail.com

iury aleson disse...

Isso tudo é bem interesante contudo creio nao ser por ai que voces vao aprender transmutar.Isso é algo serio se procurar algo oculto ja é dificil como posso pedir feito um desesperado e ainda por cima na internet ? Eu nao sou um cetico acredito mais sei que existem impostores . Como Socrates é preciso indagar e ficar atento em rituais, nimguem obriga nimguem a fazer nada que nao queira Iury Aleson estudante de Gnosis